sexta-feira, 29 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Comunicação alternativa como estratégia eficaz, com alunos com dificuldades de linguagem
A comunicação entre os indivíduos está presente em todos os momentos da vida, sendo essencial ao seu desenvolvimento. Contudo, apesar de a linguagem oral ser o meio de comunicação mais utilizado, há pessoas que, devido a fatores neurológicos, físicos, emocionais e cognitivos, se mostram incapazes de se comunicar através da fala.Os alunos com impedimentos na comunicação nem sempre participam dos desafios educacionais, porque os professores desconhecem estratégias e alternativas de comunicação. Para garantir a esses alunos meios de expressarem suas habilidades, dúvidas e necessidades, faz-se necessário descobrir meios de compreender de que forma eles estão processando e construindo conhecimentos.
Izilda Rodrigues
A comunicação alternativa é a área da tecnologia assistiva que se destina especificamente à ampliação de habilidades de comunicação é denominada de Comunicação Alternativa (CA). A comunicação alternativa destina-se a pessoas sem fala ou sem escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade de falar e/ou escrever.
A CA pode acontecer sem auxílios externos e, neste caso, ela valoriza a expressão do sujeito, a partir de outros canais de comunicação diferentes da fala: gestos, sons, expressões faciais e corporais podem ser utilizados e identificados socialmente para manifestar desejos, necessidades, opiniões, posicionamentos, tais como: sim, não, olá, tchau, banheiro, estou bem, sinto dor, quero (determinada coisa para a qual estou apontando), estou com fome e outros conteúdos de comunicação necessários no cotidiano.
Com o objetivo de ampliar ainda mais o repertório comunicativo que envolve habilidades de expressão e compreensão, são organizados e construídos auxílios externos como cartões de comunicação, pranchas de comunicação, pranchas alfabéticas e de palavras, vocalizadores ou o próprio computador que, por meio de software específico, pode tornar-se uma ferramenta poderosa de voz e comunicação. Os recursos de comunicação de cada pessoa são construídos de forma totalmente personalizada e levam em consideração várias características que atendem às necessidades deste usuário.
A imagem apresenta vários cartões de comunicação com símbolos gráficos representativos de mensagens. Os cartões estão organizados por categorias de símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura diferente: cor de rosa são os cumprimentos e demais expressões sociais, (visualiza-se o símbolo "tchau"); amarelo são os sujeitos, (visualiza-se o símbolo "mãe"); verde são os verbos (visualiza-se o símbolo "desenhar") ; laranja são os substantivos (visualiza-se o símbolo "perna"), azuis são os adjetivos (visualiza-se o símbolo "gostoso") e branco são símbolos diversos que não se enquadram nas categorias anteriormente citadas (visualiza-se o símbolo "fora").
Para a confecção de recursos de comunicação alternativa como cartões de comunicação e pranchas de comunicação são utilizados os sistemas de símbolos gráficos, que são uma coleção de imagens gráficas que apresentam características comuns entre si e foram criados para responder a diferentes exigências ou necessidades dos usuários.
Na figura acima, podemos ver uma pasta de comunicação e nela, há uma prancha que contém as letras do alfabeto e os números. O usuário está apontando o dedo indicador na letra "X"
Visualiza-se uma prancha de comunicação com dezoito símbolos gráficos PCS cujas mensagens servirão para escolher alimentos e bebidas. Os símbolos PCS estão organizados por cores nas categorias social (oi, podes ajudar?, obrigada); pessoas (eu, você, nós); verbos (quero, comer, beber); substantivos (bolo, sorvete, fruta, leite, suco de maçã e suco de laranja) e adjetivos (quente, frio e gostoso).
Fichas de receitas ou receitas completas podem ser descritas com a sequência de símbolos gráficos associados com a escrita. Para confecção destes recursos a ferramenta Simbolar será muito útil.
Em sete frases, escritas com texto e símbolos, está uma sequência de atividades que deverão ser feitas para a preparação de um sanduíche de geleia com queijo.
Pranchas de comunicação temáticas poderão ser construídas para que o aluno usuário da CA possa participar de atividades de interpretação de histórias ou também para que possa perguntar, responder e argumentar sobre os conteúdos estudados e atividades desenvolvidas em sala de aula.
Um livro de história, que fala sobre temas de ecologia, está acompanhado de uma prancha temática, com a qual o usuário da CA poderá apontar ações positivas e negativas relativa à preservação do meio ambiente
Visualiza-se uma sequência de atividades individuais de um usuário da CA que se chama Paulo. As atividades ilustradas em sequência de símbolos que representam sua rotina matinal desde o acordar, vestir-se, fazer a higiene pessoal, até tomar o café da manhã.
Com fotografias escaneadas de um cardápio foi montada uma prancha de comunicação temática, para comprar o lanche. Visualizamos as imagens dos sanduíches, copo de refrigerante, salada e embalagem do lanche. Estas mesmas imagens aparecem organizadas numa prancha de comunicação.
A inclusão comunicativa não se restringe à disponibilização destes e outros recursos, sejam eles de tecnologias de alto ou de baixo custo. Tão ou mais importante do que isso, é a presença de interlocutores interessados em interagir e acolher as mensagens da pessoa não oralizada. Assim, são fundamentais a aceitação e o incentivo ao emprego de formas alternativas de comunicação, inclusive pelo próprio grupo social.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Benefícios da Educação Inclusiva...
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| Inclusão é a capacidade de aceitação da diversidade! Esta é uma sala de aula inclusiva... |
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| Foi lindo este encontro dos dois ... Luíz e Brendaw |
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| Níver de Brendaw...seu sonho era tomar um banho de ovos no dia de seu aniversário...Sonho realizado pelos seus colegas de turma. Que alegria é essa gente!!! |
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| Me ajudam a crescer! |
Aceitar a inclusão é antes de tudo aceitar que
vivemos em uma sociedade onde as diferenças são reais e devem ser respeitadas.
A educação como outras áreas
da sociedade é grande responsável por essa mudança de comportamento, e uma de
suas missões é a de passar informação, que é uma das formas mais simples de se
combater o preconceito. A inclusão faz com que as pessoas se aproximem e tragam
pra perto de si pessoas antes tidas como anormais, e incapazes e essa
aproximação faz muita diferença não somente na vida daquele que foi incluso,
mas também na vida daquele que aceitou a inclusão do diferente em sua vida.
A ideia da inclusão não é
nova, mas ainda precisa amadurecer nas mentes de pais, educadores, governantes
e toda sociedade, antes de tudo é preciso deixar de ignorar a existência do
problema e torna-lo parte de nossas vidas como algo natural.
Aceitar o que é diferente
causa medo, desconfiança, mas quando percebemos tudo de novo e interessante que
podemos aprender e passar para o outro conseguimos ver que não estamos fazendo
nenhuma caridade, mas dando e recebendo na mesma medida.
Todas as mudanças de
comportamento e de pensamentos necessárias para que a inclusão seja eficaz em
nossa sociedade só viram quando as pessoas descobrirem o quanto as nossas
diferenças podem ser compartilhadas, e úteis às outras pessoas.
Deve reconhecer-se que a
inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais implica muito mais do
que colocar simplesmente o aluno numa escola regular. Trata-se de um processo
em que o aluno tem oportunidades para se desenvolver e progredir em termos
educativos para uma autonomia econômica e social.
Izilda Rodrigues
segunda-feira, 18 de março de 2013
Um resumo do que tenho aprendido estudando e convivendo com crianças autistas...
É uma síndrome
que se caracteriza por problemas na
comunicação (mesmo as pessoas verbais têm fala atípica e dificuldade para
expressar ideias e sentimentos); na socialização (possibilidade de mal-estar em
meio aos outros, pouco contato visual e compreensão por vezes precária das
conversas); e no comportamento (padrões repetitivos e movimentos
estereotipados, como balançar o corpo). É um conjunto de sintomas, não exatamente
uma doença. No Brasil, não há qualquer estatística, mas pesquisas em outros
países apontam para algo como um autista em cada cem habitantes. Você não sabe
ou não quer saber, mas pode ter um aí ao seu lado.
Foi num gesto
contra o preconceito e o isolamento que a presidente Dilma Rousseff sancionou,
em 27 de dezembro do ano passado, a lei nº 12.764/12, conhecida como Lei
Berenice Piana, em homenagem à mãe de Itaboraí (RJ) que tanto batalhou pelo
projeto que pode beneficiar seu filho e milhares de outros.
A nova lei dá
direito a atendimento especializado e obriga o Estado e as entidades privadas a
garantir o acesso à educação e ao mercado de trabalho, dentre outros direitos.
Escolas e planos privados de saúde não poderão rejeitar pessoas com autismo, e
estas terão como reivindicar prioridade no atendimento. O gestor escolar que
recusar a matrícula de um aluno com deficiência pode receber multa de 3 a 20
salários mínimos.
Os pais e
profissionais que defendem o ensino especial (por acharem que os alunos
aprendem mais assim e ficam protegidos de bullying, argumentos sérios que devem
sempre ser levados em conta) vêm se queixando de uma desvalorização dos
trabalhos voltados diretamente para autistas. Mas a redação da lei não impede
que as escolas especiais continuem a existir. O que não tem havido é incentivo
público a essa ala da educação, opção que precisa continuar a ser debatida,
pois é polêmica. Talvez abordar o tema da inclusão escolar nos dias atuais,
represente mais a expressão de um anseio de que pessoas com quaisquer
deficiências possam estar em escolas regulares, que a revelação de uma ideia clara acerca de ações que indiquem como, de fato, a inclusão deverá ser
implantada de modo efetivo.
Nesse contexto,
discutir a inclusão é tarefa, no mínimo, desafiadora, uma vez que implica em
dizer o que já foi dito tantas vezes e aquilo que, entretanto, ainda resta por
dizer. Penso que em se tratando de inclusão, faz-se necessário pensar para além
da esfera das pessoas com deficiências e avançar na discussão da relação que a
escola estabelece com o “diferente”, identificável a partir de um padrão
previamente definido.
Muito urgente também
é a criação de uma política pública para o autismo. O Estado brasileiro
praticamente ignora o assunto. E o passo inicial é simples: propagar pelo país
experiências como da Apae de Ipatinga, referência nacional em atendimento a autistas e tantos outros
exemplos.
Acredito que as
oportunidades de inclusão de alunos com autismo tendem a aumentar, com o passar
dos anos. Penso que quanto mais as pessoas, de um modo geral, e, em especial,
os profissionais da área da educação, souberem acerca dessa síndrome
(características, estilos de comportamento, etc.) mais se abrirão vias de
acesso à entrada dos mesmos nas escolas regulares. Creio que incluir pessoas
portadoras de TID em classes regulares seja algo possível numa escola
inclusiva, conforme os parâmetros que proponho.
A ideia de
inclusão que apresento poderia a muitos parecer utópica, se pensarmos no tempo
presente. Entretanto acredito que, se a realidade é construída pelo social,
pode ser substituída por outra realidade utópica apresentada.
Se, conforme
disse Cornelius Castoriadis, grande filósofo, economista e psicanalista francês
“o real é também, aquilo que pode ser transformado’’, a utopia não estaria
apenas em querer-se “instalar a razão no imaginário’’, mas talvez mostrar que
os dois, razão e imaginário são duas faces de uma mesma moeda”“. O real é
aquilo que pode ser transformado pelo imaginário e o imaginário aquele que um
dia, ao aproximar a realidade da imaginação, transforme o que era imagem em
real.
Sabemos que
educar é um ato de amor. Não só com alunos com necessidades especiais das mais
diversas formas, mas a qualquer aluno. Respeito
as diferenças e ao aluno é essencial. Queiramos nós, em um futuro
próximo, sermos educadores com excelência. Creio que... AMOR, RESPEITO e DEDICAÇÃO
são as chaves pra alcançarmos nossos ideais.
Izilda Rodrigues
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
É preciso saber viver...
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| Em visita a minha aluna Rosimar na Casa da Esperança, em janeiro de 2013. Quanta pureza neste sorriso! É sempre muito bom estar com ela!!! |
Me lembrou de um livro realmente extraordinário: ‘A lição final’ (de Randy Pausch), do qual, dentre tantas preciosidades, recordei lhe o seguinte: “Não podemos mudar. Temos de resolver como reagir. Não podemos trocar as cartas que recebemos, mas apenas pensar como jogar."
E é isso.. após 11 anos enclausurada em seu próprio corpo, ela triunfou.
Nada obstante as cartas “desfavoráveis” que recebeu, ou seja, os obstáculos inevitáveis que o autismo acarreta, ela provou o óbvio (esse tal óbvio que acorrenta tanta gente): que os obstáculos não estão ali para te impedir de seguir.. mas sim, para te dar a oportunidade de provar a força dos teus anseios... que eles tão somente existem para barrar aqueles que não querem realmente transpô-los.
Enfim, ela afirma e clama: “Eu tenho autismo, mas isso não é quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar."
Quem dera tal tempo sempre fosse concedido. Há tanta pressa em uma rotulação, que as pessoas, sem se dar conta do real tamanho do seu atraso, não costumam esperar o tempo suficiente para serem surpreendidas, digo, não ultrapassam nem as mínimas barreiras para se permitir impressionar pelo outro.
“Moral da história: preste atenção. Mesmo onde você enxerga um vazio, pode ter gente dentro.”
É o tipo de história que inevitávelmente nos expulsa da cegueira e trivialidade cotidiana. Tal como um escapelo, ele corta a carne da alma de quem lê, e deixa, em letras "de letreiro de farmácia", o aviso: 'Acordem para ver o que tem que ser visto!”
História realmente emocionante deste grande ser humano que já não se encontra mais entre nós! Não esqueça jamais: "Não podemos trocar as cartas que recebemos, mas apenas pensar como jogar.” Randy Pausch
A partir da história da adolescente autista, lembrei-me desta linda mensagem, que também nos ensina muitas coisas...
Izilda Rodrigues
Deus Escolhe as mães
Deus pairou sobre a Terra, selecionando o seu instrumento de propagação com um grande carinho e compassivamente, enquanto Ele observava, Ele instruía seus anjos a tomarem nota em um grande livro:
- Para a mãe Sebastiana, um menino e o anjo da guarda Mateus.
- Para a mãe Maria, uma menina e como anjo da guarda Cecília.
- Para a mãe Fátima, gêmeos, e como anjo da guarda, mande Geraldo.
Pronunciando um nome, sorri e diz:
- Dê a ela uma criança deficiente.
O anjo cheio de curiosidade pergunta:
- Por que a ela Senhor? Ela é tão alegre...
- Exatamente por isso. Como eu poderia dar uma criança deficiente para uma mãe que não soubesse o valor de um sorriso? Seria cruel.
- Mas será que ela terá paciência?
- Eu não quero que ela tenha paciência porque, com certeza, se afogará no mar da autopiedade e desespero. Logo que o choque e o ressentimento passar, ela saberá como se conduzir.
- Senhor, eu a estava observando hoje, ela tem aquele forte sentimento de independência. Ela terá que ensinar a criança a viver no seu mundo e não vai ser fácil.
- E além do mais, Senhor, eu acho que ela nem acredita na sua existência.
Deus sorri.
- Não tem importância. Eu posso dar um jeito nisso. Ela é perfeita. Ela possui o egoísmo no ponto certo. O anjo engasgou.
- Egoísmo? E isso é, por acaso, uma virtude?
Deus acenou um sim e acrescentou:
- Se ela não conseguir se separar da criança de vez em quando, ela não sobreviverá. Essa é uma das mulheres que eu abençoarei com uma criança menos perfeita. Ela ainda não faz idéia, mas ela será também muito invejada. Sabe, ela nunca irá admitir uma palavra não dita, ela nunca irá considerar um passo adiante uma coisa comum. Quando sua criança disser 'mamãe' pela primeira vez, ela pressentirá que está presenciando um milagre. Quando ela descrever uma árvore ou um pôr do sol para seu filho cego, ela verá como poucos já conseguiram ver a minha obra. Eu a permitirei ver claramente coisas como a ignorância, crueldade, preconceito e a ajudarei a superar tudo. Ela nunca estará sozinha. Eu estarei ao seu lado cada minuto de sua vida, porque ela estará trabalhando junto comigo.
- E quem o senhor está pensando em mandar como anjo da guarda?
Deus sorriu.
Dê a ela um espelho, é o suficiente!'
Linda história de SUPERAÇÂO!
Esta é a linda história de superação de uma adolescente que aprendeu a controlar o autismo para se comunicar.
Lê se na tela de um computador: "Meu nome é Carly Fleischmann e desde que me lembro, sou diagnosticada com autismo", a digitação é lenta, a idéia não é concluída sem algumas interrupções, é assim que Carly trava contato com o mundo. Carly é uma adolescente de Toronto, Canadá, e atravessou uma batalha na vida. Ajudada pelos pais, ela conseguiu superar a barreira máxima do isolamento humano.
“Quando dizem que sua filha tem um atraso
mental e que, no máximo atingirá o desenvolvimento de uma criança de seis anos,
é como se você levasse um chute no estômago", diz o pai de Carly. Ela tem
uma irmã gêmea que se desenvolvia naturalmente, e aos dois anos, ficou claro
que havia algo de errado. Ela estava imersa no oceano de dados sensoriais
bombardeando seu cérebro constantemente. Apesar dos esforços dos pais, pagando
profissionais, realizando tratamentos, ela continuava impossibilitada de se
comunicar e de ter uma vida normal. O pai de Carly explica que ela não era
capaz de andar, de sentar, e todos doutores recomendavam: "Você é o pai.
Você deve fazer o que julgar necessário para esta criança".
Eram cerca de
3 ou 4 terapeutas trabalhando 46 horas por semana. Os terapeutas acreditavam
que Carly fosse mentalmente retardada, portanto, sem esperanças de algum dia
sair daquele estado. Amigos recomendavam que os pais parassem o tratamento,
pois os custos eram muito altos. O pai de Carly, no entanto, acreditava que sua
criança estava ali, perdida atrás daqueles olhos: "Eu não poderia desistir
da minha filha".
Subitamente aos 11 anos algo marcante
aconteceu. Ela caminhou até o computador, colocou as mãos sobre o teclado e
digitou lentamente as letras: H U R T - e um pouco depois digitou - H E L P.
Hurt, do inglês "Dor", e Help significa "Socorro". Carly
nunca havia escrito nada na vida, nem muito menos foi ensinada, no entanto, foi
capaz de silenciosamente assimilar conhecimento ao longo dos anos para se
comunicar, usando a palavra pela primeira vez, em um momento de necessidade
extrema. Em seguida, Carly correu do computador e vomitou no chão. Apesar do
susto, ela estava bem. "Inicialmente nós não acreditamos. Conhecendo Carly
por 10 anos, é claro que eu estaria cético", disse o pai.
Os terapeutas estavam ansiosos para ver
provas e os pais incentivavam Carly ao máximo para que ela se comunicasse
novamente. O comportamento histérico de Carly permanecia exatamente como antes
e ela se recusava a digitar. Para força-la a digitar, impuseram a necessidade.
Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Se ela quisesse ir a algum lugar,
pegar algo, ou que dissessem algo, ela teria que digitar. Vários meses se
passaram e ela percebeu que ao se comunicar, ela tinha poder sobre o ambiente.
E as primeiras coisas que Carly disse aos terapeutas foi "Eu tenho
autismo, mas isso não é quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de
me julgar".
A partir dai, como dizem os pais, Carly
"encontrou sua voz" e abriu as portas de sua mente para o mundo. Ela
começou a revelar alguns mistérios por trás do seu comportamento de balançar os
braços violentamente, e de bater a cabeça nas coisas, ou de querer arrancar as
roupas: "Se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu
pudesse parar eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e
errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu
cérebro".
"Eu
gostaria de ir a escola, como as outras crianças. Mas sem que me achassem
estranha quando eu começasse a bater na mesa, ou gritar. Eu gostaria de algo
que apagasse o fogo". Carly explica ainda que a sensação em seus braços é
como se estivessem formigando, ou pegando fogo. Respondendo a uma das perguntas
que fizeram a ela, sobre porquê às vezes ela tapa os ouvidos e tapa os olhos,
ela explica que isso serve para ela bloquear a entrada de informações em seu
cérebro. É como se ela não tivesse controle e tivesse que bloquear o exterior
para não ficar sobrecarregada. Ela explica ainda que é muito difícil olhar para
o rosto de uma pessoa. É como se tirasse milhares de fotos simultaneamente com
os olhos, e é muita informação para processar. O cérebro de Carly não possui a
capacidade de catalizar a quantidade imensa de informações para os sentidos, e
consequentemente, ela não pode lidar com a quantidade excessiva de informação
absorvida.
Segundo o pai de Carly,
ela faz questão de dizer, que é uma criança normal, presa em um corpo que a
impede de interagir normalmente com o mundo. O Pai de Carly teve a chance de
finalmente conhecer a filha. A partir do momento em que ela começou a escrever,
se abriu para o mundo. Carly hoje está no twitter e no facebok. Ela conversa com
as pessoas e responde dúvidas sobre o autismo. Com ajuda do pai ela escreveu um
livro chamado Carlys Voice (A voz de Carly). Entre os mais
variados comentários que ela recebe sobre o livro, um crítico disse: "A
história de Carly é um triunfo. O autismo falou e um novo dia nasceu".
Veja algumas
perguntas respondidas por Carly que ajudam a elucidar algumas questões do
autismo:
Questão 1: Carly, você pode me dizer porque meu
filho cospe todo o tempo? Ele tem todos os outros tipos de comportamento
também: Bater a cabeça, rolar, balançar os braços, mas o cuspe é asqueroso e
realmente faz com que as pessoas queiram ficar longe dele. Alguma idéia?
Carly: Eu nunca cuspi, quando era criança. No entanto, eu babava, e
sentia como se cuspisse. Hoje eu percebo que eu nunca soube como engolir a
saliva. Eu nunca usei minha boca para falar, e por isso, nunca usei os músculos
da boca. Quando você tem saliva presa na sua boca, existem poucas maneiras de
se livrar do desconforto. Tente dar a ele alguns doces por duas semanas. Isso
vai fortalecer os músculos e ensina-lo a engolir a saliva.
Questão 2: Meu garoto de quatro anos grita no carro toda vez que o carro
para. Ele fica bem, desde que o carro mantenha-se em movimento. Mas uma vez que
parou, ele começa a gritar. É uma mania incontrolável.
Carly: Eu adoro longos passeios de carro. O carro em movimento, e o
visual passando rapidamente permite que você bloqueie outros impulsos
sensoriais e foque em apenas um. Meu conselho é que você coloque um DVD no
carro com cenário em movimento.
Questão 3: Você alguma vez já gritou sem razão nenhuma? Mesmo com o
semblante feliz, e tudo calmo e relaxado, mas você apenas começa a gritar?
Minha filha às vezes faz isso e eu estou tentando entender o porquê.
Carly: Ela está filtrando o audio e quebrando os sons, ruídos e
conversações através do dia. Além de gritar, ela poderá chorar, rir alto e até
demonstrar raiva. É a nossa reação por finalmente entendermos algo que foi dito
há alguns minutos, alguns dias ou alguns meses. Está tudo ok com ela.
Questão 4: Como eu faço com que um adolescente pare com movimentos
repetitivos na classe? Ele diz que os professores são chatos e que é muito mais
divertido na cabeça dele. Eu sei que é, mas ele está perdendo todas as
instruções e leituras. Eu estou sempre redirecionando ele, mas ele está
perdendo tanto. Me ajude.
Carly: Ok. Preciso limpar uma má interpretação sobre o autismo. Se uma
criança está fazendo movimentos repetitivos, não quer dizer que ele ou ela não
esteja escutando. De fato, ela escuta melhor se ela estiver fazendo esses
movimentos. Eu estou estudando e ainda faço movimentos na classe. Eu tento ser
discreta, como se estivesse enrolando um pequeno pedaço de papel nos meus
dedos. Todos fazem movimentos repetitivos. Pense nos desenhos que você faz
quando está no telefone, ou enrolando a ponta dos cabelos, ou enroscando o
lápis entre os dedos. Isso é um "stim" (uma movimentação repetitiva).
Não há nada de errado com isso, mas às vezes é melhor tentar ser discreto.
Fonte: http://enfrentandooautismo.blogspot.com.br
Os desafios da educação inclusiva...como fica o papel do professor diante deste desafio?
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| Em busca de igualdade, estamos aqui! |
Vamos iniciar nossa reflexão respondendo a esta importante pergunta. O que é um aluno com necessidades
especiais?
O educando que apresenta desvio da média
considerada padrão para uma faixa etária determinada, para menos ou para mais,
nos aspectos: físico, sensorial e mental.
Alunos com necessidades especiais também são
aqueles que apresentam algum tipo de dificuldade de aprendizado devido a: TDAH,
problemas de linguagem, transtornos comportamentais, distúrbios de
aprendizagem, deficiências múltiplas e síndromes. Alunos superdotados também
são considerados alunos com necessidades especiais.
Apesar disso,
alunos de baixa cognição são capazes de aprender desde que seja a ele ofertado um
atendimento diferenciado e individualizado. Eles têm um aprendizado mais lento,
mas aprendem.
Como lidar com
estes casos, já que em nosso campo raramente estudamos isso na universidade? E como fica o papel do professor diante deste desafio?
Primeiro, os
pais é que devem informar o problema. O professor não deve diagnosticar o aluno. Porém, às vezes, é possível identificar uma
dificuldade com que um aluno lida com certas coisas na sala de aula, e, como
pedagogos, vamos ter que encontrar soluções pedagógicas. Além disso, diante do
diagnóstico um professor deve, acima de tudo, procurar também ajuda
profissional, validada pela instituição onde trabalha. Alguns pais, inclusive,
podem não saber com lidar com um diagnóstico que muitas vezes parece sentenciar
o aluno ao fracasso. A inclusão só será possível mediante um diálogo franco e
aberto entre pais e escola, e suporte intenso da instituição de ensino ao
professor. Também devemos ter muita paciência e compreensão, e sempre
experimentar novas técnicas.
Desafios
Existem muitos
desafios para a educação inclusiva:
* Salas de aula
cheias, com condições nem sempre favoráveis.
* Tempo limitado
e aulas “corridas”, sem tempo suficiente para identificarmos problemas e
pensarmos em soluções para lidar com o aluno e, às vezes, com a família do
mesmo.
* Achar/procurar
estratégias para incluir e envolver essas crianças.
* Descobrir seus
pontos fortes e fracos, múltiplas inteligências, etc.
* Currículo
“apertado”, provas com todo o conteúdo, horário mínimo de aula,
professores com horários cheios.
* Trabalhar com
“avaliações prontas”, que não estão adaptados para estes alunos.
* Prover
condições de trabalho que permitam acomodação às necessidades do aluno.
* Trabalhar com
as expectativas de forma diferente, encontrando uma forma de envolver este
aluno, mas ainda continuando nosso trabalho com os outros alunos.
* Falta de
compreensão de turmas que reclamam da “lentidão” de uma aula que favoreça um
aluno com necessidades especiais.
* Grande esforço
para integrar o aluno à turma e à aula, seguido de avaliação que trata a todos
como iguais.
* Baixa
autoestima destes alunos com necessidades especiais.
Técnicas e dicas
Ter conhecimento
de como o cérebro processa a língua ajuda a personalizar as atividades e
catalisar aprendizagem.
Utilizar elogios
e estabelecer bom relacionamento com o aluno, estabelecer rapport (chamar o
aluno pelo nome, estabelecer contato visual, sorrir, estabelecer relação
amigável, atentar para dúvidas e ter paciência com elas, usar bom humor, etc…).
Alunos que
precisam se movimentar mais durante uma aula – usar como assistente e dar
também um pequeno intervalo para tomar água, para os hiperativos um
brinquedinho bem pequeno que não produz som nenhum (tipo bichinho de pelúcia)
para acalmar, passar conforto.
Demandar que o
aluno produza dentro de sua capacidade de produção. Cada aluno deverá trabalhar
dentro de suas possibilidades (isto é inclusão). Não idealizar e sim aceitar
que nós professores não estamos na sala de aula para criarmos gênios. Temos que
ter MUITA paciência.
Apoio emocional
em casa e na escola. Isso pode ajudar a superar os traumas de ser um aluno
diferente de seus colegas.
Personalização,
observando quando um aluno se sai melhor em sala, com o que ele se sente mais
confortável, se é mais auditivo, sinestésico ou visual.
Conversar com o
coordenador pedagógico, e uma vez tendo o aluno diagnosticado, estabelecer
parceria com os pais com tarefas que sejam a extensão do mundo do aluno em sala
de aula e vice-versa.
Fazer exercícios
em sala de aula, usando habilidades diferentes.
Trabalhar dentro
das possibilidades dos alunos.
Valorizar cada
habilidade que um aluno demonstrar ter para a leitura e histórias…
Incentivar o
aluno a sentar-se próximo ao professor.
Desenvolver
avaliações que ensinem a “olhar a diferença”, e a medir o que o aluno consegue
fazer, ao invés daquilo que ele não consegue fazer.
Conhecer
bastante cada aluno, conversar com eles, e em alguns casos, ter os números de
contato da família sempre à mão.
Contar histórias
pode ajudar disléxicos com leitura/escrita.
Trabalhar a
consciência da turma em relação a alunos com necessidades especiais. Não se
responsabilizar sozinho pela administração da aula, mas compartilhar
necessidades também com outros alunos, incentivando a cooperação.
Estar atento às
dificuldades destes alunos aula após aula.
Inclusão requer
sensibilização da família, escola, colegas de classe, TODOS devem trabalhar
juntos.
Usar sensibilidade durante o planejamento e
avaliação destes alunos.
Em alguns casos
será necessário usar tradução e repetição, e levar outras tarefas para manter
os outros alunos ocupados enquanto damos atenção ao aluno com necessidades
especiais.
Usar gravação de
voz para os exercícios em vez de escrita (para tarefas de casa) e também para
memorização da pronúncia.
Provas podem ser
lidas para o aluno, separadamente do restante da turma, em alguns casos, sendo
que deverão ser adaptadas. O mesmo conteúdo deve ser enfatizado com as devidas
flexibilizações.
Izilda Rodrigues
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